IA para ampliar o espaço do que temos de mais humano
Há poucos dias, assisti a uma reflexão de Rony Meisler sobre inteligência artificial que me chamou a atenção. Enquanto boa parte da discussão está concentrada no medo de a IA provocar desemprego, ele propõe outro alerta: o risco de nos tornarmos dependentes da tecnologia a ponto de deixarmos de exercitar o pensamento.
Essa provocação toca diretamente em uma questão que temos discutido na PMais: afinal, para que queremos usar inteligência artificial?
A nossa resposta é clara.
Não estamos implantando IA para retirar pessoas dos processos. Estamos usando tecnologia para retirar tarefas mecânicas, repetitivas e desgastantes da rotina das pessoas.
Essa diferença é fundamental.
Somos uma empresa de terceirização de mão de obra. Mas, antes disso, somos uma empresa feita de seres humanos, que cuida de seres humanos e entrega resultados por meio de seres humanos.
Nenhuma tecnologia substitui a escuta de um colaborador, a percepção de um gestor diante de uma situação delicada, a construção de confiança com um cliente ou a responsabilidade de tomar uma decisão que afeta a vida de alguém.
Por outro lado, não há motivo para exigir que pessoas qualificadas consumam grande parte do seu tempo consolidando informações, organizando filas, conferindo tarefas repetitivas ou procurando dados dispersos quando a tecnologia pode apoiar esse trabalho com velocidade e consistência.
É nesse ponto que a IA ganha sentido para nós.
Um exemplo concreto está no processo de triagem de candidaturas do nosso RH. A tecnologia nos ajuda a organizar a fila de análise e a identificar, com base em critérios objetivos, os currículos com maior aderência ao perfil de cada vaga.
Mas a triagem é assistiva, não eliminatória.
A classificação serve para priorizar o trabalho da equipe. Ela não aprova, não reprova e não substitui a avaliação do profissional de RH. Avaliações humanas já realizadas são preservadas, situações duvidosas são encaminhadas para revisão e nenhuma candidatura é descartada automaticamente.
O objetivo não é afastar o RH dos candidatos. É permitir que o RH tenha mais tempo e melhores informações para se aproximar deles.
Essa mesma lógica orienta outros processos que estamos desenvolvendo: automatizar o que é operacional para valorizar o que depende de julgamento, relacionamento, cuidado e responsabilidade.
Entretanto, há um limite que precisa ser observado.
Se a IA passar de ferramenta de apoio a substituta do pensamento, poderemos ganhar produtividade e, ao mesmo tempo, perder capacidade crítica. Faremos mais coisas, em menos tempo, mas talvez sem compreender profundamente o que fizemos, por que fizemos e quais consequências produzimos.
Esse é o risco da chamada dívida cognitiva.
Por isso, a adoção de IA precisa vir acompanhada de princípios claros. A tecnologia pode preparar informações, identificar padrões, organizar alternativas e acelerar etapas. A decisão, a responsabilidade e o compromisso com as consequências continuam sendo humanos.
Na PMais, três perguntas orientam nossas decisões: a solução ajuda a cumprir a promessa feita aos clientes e colaboradores? Contribui para uma operação rentável e sustentável? Melhora a eficiência sem aumentar o desgaste da equipe?
A IA só faz sentido quando passa por esses três critérios.
Não acredito que o futuro do trabalho seja uma disputa simples entre pessoas e máquinas. A questão mais importante será como cada empresa decidirá combinar capacidade tecnológica e inteligência humana.
Nós fizemos a nossa escolha.
Na PMais, queremos usar a inteligência artificial não para diminuir o espaço das pessoas, mas para ampliar o espaço do que elas têm de mais humano.
Porque eficiência é importante. Tecnologia é indispensável. Mas confiança, discernimento, cuidado e responsabilidade continuam sendo a essência do nosso trabalho.
E essa essência é humana.
Lula Moura
Administrador com especialização em gestão de pessoas, consultor de carreira e marca pessoal, líder coach e analista comportamental. Na P Mais atua como gerente de operações.
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